quarta-feira, 11 de agosto de 2010

deuses e perdedores

eram esses dois personagens inicialmente tão similares que até se confundiam - vindos do mesmo lugar, se vestiam quase que com as mesmas roupas, falavam e gesticulavam com trejeitos típicos. se seres humanos fossem embalagens, ninguém saberia distinguir qual era qual. nem, provavelmente, haveria de fato uma diferença.

mas sempre vale dizer que seres humanos não são embalagens, pacotes descartáveis coloridos que se escolhe pela data de validade. seres humanos possuem capacidades, ambições, coração, alma, talento. e um dos personagens tinha todos esses requisitos de sobra, sobretudo o quinto, mais importante dentre de todos eles. alcançou sucesso por onde passou, conquistou o mundo. bandeiras tricolores e depois alvi-verdes tremulavam ao ouvir seu nome.

o outro personagem, de todos os requisitos, possuia apenas o coração. dizia-se que não era capaz de ter sucessos duradouros, que tinha curtíssimas fases de qualidade antes de se transformar em um medíocre, posteriormente um completo imprestável. peregrinava de região em região atrás de novos empregos, que acabavam aparecendo só para que a sina pudesse se repetir - repentina felicidade, meteórico ostracismo. novo fracasso. nova peregrinação.

em pouco tempo, os dois se tornaram incomparáveis. não eram nem sequer da mesma espécie. um pertencia aos deuses, o outro aos perdedores.

hoje, luiz felipe scolari fez seu sexto jogo em sua volta ao palmeiras. quatro derrotas e dois empates. um time apático - muito devido à falta de qualidade do elenco, diga-se, mas que absolutamente não reflete o que se espera de um comando que já foi outrora campeão do mundo.

já celso roth é praticamente campeão da américa. invicto desde que assumiu o internacional, caminha rumo a finalmente estampar uma glória concreta em sua carreira.

a vida é cheia de altos e baixos, e todos os dias estamos sujeitos a estarmos mal, caídos em uma cama sem perspectivas de como se levantar na manhã seguinte. esperando por um sol que nunca chegará, esperando por fatos que nunca acontecerão. uma imersão contínua, eterna.

mas o que realmente importa é o talento, a qualidade, o que você é de verdade nesse mundo. você pode ser um deus, um perdedor, qualquer outra coisa - e são muitas - entre esses dois patamares.

eu não acredito que luiz felipe scolari seja um deus, talvez acredite que celso roth seja um perdedor. mas acredito no talento, na qualidade, no coração do primeiro. e como em tantas fases em que nada dá certo na vida, isso tende a passar. scolari ainda voltará a ser scolari. e, provavelmente todos sabem, celso roth voltará a ser celso roth.