palmeiras 1 x 1 corinthians, pacaembu, 01/05/2011.
é por isso que a grande maioria das pessoas normalmente é extremamente parcial quando o assunto envolve o seu time do coração. tenho muitos amigos desse jeito, meu pai é desse jeito. não importa se claramente houve o pênalti para o adversário, não importa se a expulsão foi justíssima, não importa se o jogador se jogou na área e mesmo assim o árbitro colaborou com a sua bandeira, sempre todos os lances tendem a ser vistos pela ótica do coração. e acaba sendo até mesmo difícil discutir o assunto com essas pessoas, porque elas realmente defendem o ponto de vista com unhas e dentes.
eu nunca me considerei uma dessas pessoas. posso tomar alguns exemplos, como o jogo entre real madrid x barcelona ocorrido na última semana. odeio mortalmente a primeira equipe pelas ligações clássicas com o fascismo enquanto não sinto absolutamente nada pela segunda. nem de bom, nem de ruim. apesar disso, digo que o time madrilenho foi sumariamente prejudicado pela expulsão de pepe, que não passou nem perto de atingir o lateral daniel alves. um erro que muda um jogo. um erro que decide um jogo. e um jogo de semi-final.
mais ainda, eu posso dizer que o palmeiras foi beneficiado contra o santo andré, no jogo de ida pela copa do brasil, com dois pênaltis inexistentes marcados a seu favor.
e é por isso que eu não acho nenhum absurdo vir aqui e tentar libertar o meu nó na garganta com o ocorrido na última tarde no pacaembu. o alviverde imponente dominava a partida, acuava o corinthians com um valdivia inspirado, via o gol apenas como questão de tempo. e então, o lance derradeiro.
interpretação simples: danilo dá um carrinho perigoso, imprudente, que normalmente não deveria ser dado. mas no chão e visando a bola, sem levantar os pés. ao mesmo tempo, liédson entra por cima, de sola, pisando no zagueiro palmeirense. a entrada do corinthiano foi, no mínimo, bastante pior. se você vê o lance de forma diferente, me desculpe, ou você é tendencioso ou o viu uma vez só e por um ângulo ruim.
a revolta vem do fundo do pulmão com gritos de ódio quando paulo césar de oliveira puxa o cartão vermelho apenas para danilo. eu esperava que fossem sair dois amarelos na jogada, um para cada jogador, mas o choque ao ver a cor mostrada de forma unilateral foi imenso. e ele foi libertado, mas se regenerou e permanece até o momento atual se reproduzindo dentro da garganta.
paulo césar de oliveira tem histórico em prejudicar o palmeiras. durante toda a semana, foi um assunto comum na torcida que isso aconteceria. não era questão de dúvida, era questão de certeza. talvez o lance não tivesse gerado tanta discórdia se tivesse sido apitado por outro juiz. talvez o grito de ódio não fosse tão intenso. mas o fato é que era ele. e era uma tragédia anunciada.
o que aconteceu depois, todos nós sabemos. como guerreiros, os palmeirenses permaneceram dominando a partida, sendo muito mais perigosos e incisivos que os adversários, criaram as melhores chances, marcaram seu gol, sofreram um empate por milímetros, lutaram de cabeça erguida. acabaram derrotados nos pênaltis, mas em uma derrota de orgulho.
e o pacaembu inteiro, em uma das cenas mais bonitas que já vi em todos esses anos acompanhando futebol, aplaudiu. aplaudiu porque sabia que ali estava um time que não se entregou mesmo jogando contra doze, que não se entregou mesmo depois da tragédia anunciada ser consumada.
era um time de futebol de verdade. e um time de futebol de verdade vestindo o nosso amado verde e branco. há quanto tempo não víamos isso?
essa derrota fica na memória não como quando simon anulou o gol de obina contra o fluminense, não como quando o mesmo simon marcou pênalti de cristian em júnior na libertadores, não como quando ubaldo aquino cometeu um dos maiores assaltos da história, não como quando esse mesmo paulo césar de oliveira validou um gol de mão de adriano numa outra semi-final de campeonato paulista. vamos lembrar, sim, do erro decisivo. mas vamos lembrar também da luta de um time vencedor.
de um time que realmente podemos chamar de alviverde imponente.